CAPA DO 'MANUAL ANTIAUTOAJUDA'
PROCESSO DE CRIAÇÃO

Nesse post vou tentar explicar um pouco a respeito do processo de criação e aprovação da capa do 'Manual Antiautoajuda' que eu fiz pra Editora Paralela, um selo da Cia. das Letras.

Escolhi ela porque gostei bastante do resultado final e também porque me senti desafiado pelo tema. Mas quem vê a capa sendo vendida ou mesmo fotografias dela aqui no site talvez não vai saber nunca que antes dela ser impressa eu tive várias outras ideias que por uma ou outra razão acabaram não sendo as escolhidas.

Quando o briefing chegou, achei o tema bem interessante. A editora sempre manda o original do livro junto, mas dessa vez consegui ler apenas algumas páginas porque estava com vários trabalhos em andamento. Como inspiração busquei a capa do livro americano, que não curti muito, e assisti um video bem bacaninha que explica o livro e que a editora me mandou.

O prazo pra se mandar uma ideia é geralmente de umas duas semanas. Às vezes eu acerto de primeira, com apenas uma ideia, às vezes o processo é um pouco mais longo, com algumas idas e vindas. Dessa vez eu logo de cara tive três ideias que eu achei boas e mandei antes do prazo terminar.

Em duas delas eu apostava bastante e em uma eu não acreditava muito. É estranho porque mesmo depois de quase vinte anos trabalhando como designer eu ainda não sei quando as pessoas vão realmente gostar de algo que eu fiz. Acho que eu desenvolvi uma certa autocrítica mas nunca posso dizer com certeza 'esse trabalho vai ser aprovado'. Mas talvez essa incerteza seja uma das coisas que mais me atraem no design; não saber nunca com certeza se algo está bom ou não. Minha técnica é mostrar pra amigos ou familiares e ver a reação delas. Se uma pessoa gostou, muito provavelmente todas vão gostar.

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A primeira imagem que eu mandei foi a do título escrito dentro de um guarda chuva e o subtítulo e nome do autor sendo protegidos por ele. Eu gostei bastante porque achei que a chuva e as nuvens simbolizavam bem o mau humor e o guarda chuva era a proteção momentânea que se tem ao se proteger da chuva.

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A segunda capa que eu mandei eu gostei bastante. Ela era baseada no video que contava a historinha do livro, mas para que ficasse mais enfática fiz dois rostos mais expressivos se entrelaçando


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A terceira opção que eu enviei era a que eu menos gostava. Talvez porque a ideia não estava muito clara nos símbolos do sol e da lua, talvez porque o resultado gráfico final não tenha sido o melhor. Ninguém que viu gostou dessa. Mesmo assim eu mandei.

Depois de alguns dias recebi a resposta. A opção com o guarda chuva era a que mais tinha agradado, mas já havia um livro de uma outra editora que tinha usado a mesma ideia. É uma daquelas coincidências imponderáveis e tristes que muitas vezes acontecem na vida de um designer. A capa dos rostos não agradou porque estava pessimista e triste demais, e a terceira opção não foi nem cogitada

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Como eu tinha gostado da opção dos rostos entrelaçados, resolvi tentar novamente, mas dessa vez colocando em proeminência aquele que estava sorrindo. Não agradou novamente.

Nesse momento bate aquele pequeno desespero. Tive que recomeçar do zero, resgatando ideias que eu não tinha nem enviado na primeira tentativa e tentando imaginar novos caminhos

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Resgatei então uma ideia que eu não tinha nem mandado na primeira tentativa e ela agradou de cara. O único detalhe é que foi pedido que o texto que estava de ponta cabeça deveria ser rotacionado e ficar no sentido normal. Achei que isso tirava um pouco da estranheza da capa, mas fiz o teste. Além disso foi sugerido que as palavras Anti e o nome do autor fossem escritos em vermelho.

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Com as modificações feitas, a capa foi aprovada. Cheguei a fazer a arte final dela e enviar, mas não estava satisfeito com o resultado. Achei que um tema tão rico merecia uma capa melhor.

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Recomecei do zero, mesmo depois da capa ter sido aprovada, e enviei uma nova opção totalmente diferente. Usei só cores primárias e desenhei no centro dois rostos - um feliz e um triste - sobrepostos. A capa acabou sendo aprovada e foi a opção escolhida. Veja na seção trabalhos um ensaio fotográfico feito com ela impressa.

Acho que esse processo de idas e vindas mostra um pouco como funciona a aprovação de um trabalho. Nem sempre é assim, é claro. Muitas vezes a aprovação é feita na primeira apresentação, sem mudanças. Outras vezes várias versões são feitas até se chegar ao resultado final. Nesse caso, embora o processo tenha sido desgastaste e mais longo que o normal, a solução final me agradou tanto que me esqueci dessa demora.

Parece que agradou ao autor do livro também. Olha só o que ele falou no twitter dele:

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